
Se você não viu, aproveite e leia a reportagem publicada
pelo G1 em janeiro. A moda gospel vem ganhando destaque pelo fato de muitas
cantoras evangélicas estarem se apresentando na TV. O estilo
pentecostal/assembleiano vem se tornando referência na hora de se vestir. O
site G1 da Globo, publicou uma Super matéria sobre o assunto.
Em meio ao
competitivo mercado da moda, a confecção de Fabrício Guimarães Pais tem visto
sua produção crescer cerca de 20% a cada ano. O segredo do empresário foi
encontrar o público certo.
“Depois que mudamos
para moda evangélica, nosso faturamento aumentou de forma considerável”, diz
Pais, diretor da Kauly Moda Evangélica, instalada no Brás, tradicional centro
de compras da capital paulista, e que hoje fabrica 30 mil peças por mês e lança
de 100 a 200 modelos diferentes em cada coleção.
Assim como Pais, empresários do ramo de confecção têm
investido cada vez mais na moda evangélica, atendendo à mulher que antes tinha
de procurar em lojas não especializadas roupas que correspondessem ao estilo
exigido pela maioria das igrejas: mais comportado, porém, não menos
sofisticado. "A gente conseguiu achar esse mercado, que é um mercado
inovador, que muita gente procurava essa moda, mas que quase ninguém fabricava.
Um pouco, acho, por medo. (...) Todo mundo tem um pouco de
medo de fazer um foco só, direcionado, e a roupa não vender. No nosso caso,
poderia ter dado tudo errado”, conta Pais. Nas mãos dessas confecções
brasileiras, o que poderia ser encarado como limitação se transforma em estímulo
para criar peças cada vez mais modernas, sem deixar de obedecer às regras de
vestimenta dos evangélicos, que, embora tenham algumas variações, dependendo da
igreja, vetam calças, decotes e transparências.
De acordo com os
dados mais recentes do IBGE, com base no Censo de 2000, a população de
evangélicos do país era de 26,18 milhões. saiba mais Veja fotos de roupas de
moda evangélica Outros empresários viram na necessidade da própria família uma
oportunidade de negócio. Sabendo que a principal queixa das mulheres era
encontrar roupas adequadas às exigências, mas com estilo, Laerte de Oliveira
Tolentino entrou no ramo de moda evangélica e viu sua equipe crescer de 20 para
250 funcionários diretos e indiretos em dez anos.
Dono das grifes de moda evangélica Applausos e Via Toletino,
de Maringá, no interior do Paraná, o empresário agora tem planos de expandir
seus negócios, melhorando seus pontos de venda, que hoje estão mais
concentrados nas regiões Sul e Sudeste, e na qualidade dos produtos. "A
necessidade de segmentação vem se intensificando nos últimos anos. As mulheres
evangélicas tinham muita dificuldade para conseguir roupas no estilo que
precisavam e desejavam, porque a mulher evangélica também quer ficar bonita, na
moda, quer frequentar os cultos bem vestidas.
Ser vaidosa não é
negativo”, diz Selma Felerico, coordenadora da pós-graduação na área de
Comunicação da ESPM, especializada em estudos sobre o público feminino. A
cantora Damares é um exemplo de evangélica que gosta de se vestir bem e estar
na moda. "Meu estilo é clássico, mas diferente, com um toque pessoal. No
meu caso, compro as roupas prontas ou mando fazer, dependendo da ocasião. Já
até recebi umas propostas para lançar uma marca de roupas evangélicas e
sapatos", conta. Diante da dificuldade de encontrar roupas em Guarulhos,
na região metropolitana de São Paulo, a auxiliar de SAC Leila Silva Fonseca, 28
anos, se desloca para São Paulo atrás de roupas que atendam a seu gosto.
“Por ser pastora de uma igreja evangélica, tenho que estar
sempre bem vestida e elegante, e as lojas que existem hoje em dia não estão
adequadas a este perfil. Por isso, quando vou comprar, vou até São Paulo para
comprar roupas de grife. Já comprei roupas de outros tipos de marca, mas há
aproximadamente um ano, só compro roupas e sapatos de marca [evangélica]”. Para
Leila, a vantagem dessas roupas está na confecção e no acabamento, “deixando a
roupa mais confortável e elegante". Pensando nisso, Ivone Pizani Gonçalves
abriu uma das primeiras confecções especializadas em moda evangélica, a Raje,
que também fica na região do Brás. Evangélica, Ivone sempre trabalhou no ramo,
costurando ou revendendo roupas, até decidir se especializar em moda feita
especialmente para esse público.
“Hoje a gente tem
equipe trabalhando, mas naquela época [perto dos anos 2000], era só eu que
fazia tudo: criava, desenvolvia. Eu e meu filho. Nós começamos cortando uma
quantidade bem pequena, sempre com um pouco de medo, mas depois ficamos muito
surpresos. Foi espantosa a procura”, relata Ivone, que, no início, contava
apenas com seus dois filhos e hoje, entre as equipes de venda, de criação, de
corte e acabamento final emprega 30 pessoas diretamente. Na Raje Jeans, o carro
chefe são as saias, que custam de R$ 39 a R$ 45 e recebem no tecido aplicações
de muitos detalhes. “A moda evangélica não proíbe nada de acabamento que não
seja escandaloso. Hoje, as moças evangélicas querem sempre estar dentro da
moda. Podem estar discretas, mas com a cor da moda, por exemplo.
Qualquer tipo de roupa que esteja sendo usada, que é lançado
por estilista famoso, que está na mídia, pode ser usada, sem problema nenhum.
Tudo é permitido desde que [ela] não esteja usando uma roupa muito curta, uma
calça comprida, uma roupa sem manga e decotada”. Na busca por estampas e cores
que estarão nas lojas nas próximas estações, as equipes de estilistas das
confecções viajam a feiras de moda em outros países e participam de todas as
semanas de moda realizadas no Brasil. “A gente faz uma pesquisa ampla de
estamparia, de tecido para adaptar à moda evangélica. Buscamos inspiração em
Fashion Week, em feiras do setor. Eu ando muito, então, vou vendo o que está
acontecendo no dia a dia, nos filmes, nas músicas, até nos jornais”, disse o
estilista Jonhson Cavalcanti, que traz o design de moda festa em suas
experiências anteriores.
Hoje, os três
principais canais de venda das confecções evangélicas são lojas físicas,
revenda e internet, cuja procura tem sido cada vez maior. “Pela internet,
economizo tempo e adquiro peças que geralmente não encontro por aqui. Nem
sempre os tamanhos dão certo, mas, no meu caso, sempre encontro alguém em que
caiba e nunca devolvi nenhuma peça”, disse a policial civil Maria de Fátima
Costa da Silva, 51 anos, de Natal (RN). Isabel dos Santos Ramos, 35 anos, veio
pela segunda vez a São Paulo para comprar roupas evangélicas e revendê-las no
interior do Acre. “Compensou muito na primeira vez. Fiz um teste e agora voltei
cheia de encomendas”, disse a revendedora, acompanhada da amiga Maria Aparecida
Gusmão da Silva, 55 anos, que mora na capital paulista e a levou para “os
melhores lugares”. “Me sinto muito mais à vontade”, diz.
Thais Cristina Barbosa, 26 anos, é de Osasco, região
metropolitana de São Paulo, trabalha com moda evangélica há quatro anos e meio
e revende roupas de oito marcas. No início, trabalhava sozinha. Porém, teve de
pedir ajuda para o marido e para a irmã. No primeiro mês em que começou a
vender, tinha cinco clientes e, um ano depois, esse número já tinha subido para
180.
Do total de clientes que Thais atende hoje – ela não revelou
o número – 10% não são evangélicas. E é esse filão que muitas empresas também
querem atingir. “São mulheres que trabalham em banco, escritório, por exemplo,
e que querem roupas bonitas, mas mais discretas, na altura do joelho.” “É muito
difícil achar coisas que sejam discretas, mas de bom gosto. Eu mesmo passei por
isso no início. Agora não, uso as roupas que gosto e faço até marketing”,
conta. Como as roupas costumam cobrir ombros e pernas, muitas mulheres que usam
tamanhos grandes e que, independentemente de serem evangélicas ou não, não
gostam de mostrar os braços, por exemplo, têm recorrido aos modelos desse tipo
de moda. “Às vezes, as clientes entram aqui, se apaixonam por um vestido e só
quando vão pagar é que veem que a loja é de moda evangélica”, afirmou Fabrício
Pais. Tamanho aumento da quantidade de confecções que estão sendo abertas –
ainda não há dados oficiais -, muitas empresas chegam a se queixar e até
começam a reduzir a produção neste início de ano.
É o caso da Clara Rosa Moda Evangélica, de Cianorte, no
interior do Paraná. “A procura é grande no setor, mas nós não crescemos de 2010
para 2011. Mantivemos o faturamento, porque houve um reajuste de preços, mas
não crescemos”, afirma o diretor Aparecido Martins de Lima. Riscos Antes de
abrir um negócios, por mais interessante que possa parecer, é preciso antes de
tudo estudar o público alvo e desenvolver um plano de negócios, principalmente
em moda, de acordo com Ivan Bismara, coordenador do curso de Moda da Fundação
Armando Alvares Penteado (Faap). “Segmentação é, sem dúvida, uma tendência,
como vem sendo desde os anos 1980, na época em que surgiram as surf shops.
O risco que se corre é quanto à administração dos negócios,
saber onde você está investindo. Onde eu me comunico com meu público? Nesse
caso das lojas de surf, a maioria quebrou por não ter sido bem administrada.”
Para os próximos anos, a coordenadora da pós em Comunicação da ESPM afirma que
o universo infantil deverá ganhar mais atenção da moda evangélica. “Era uma
coisa muito necessária [a moda evangélica]. Cresceu e vai continuar crescendo”,
diz Selma.
Anay Cury Do G1, em São Paulo
Deixe um Comentário no Notícias do Evangelho



0 Comments:
Postar um comentário