Começo esse post citando a frase de uma querida amiga: “Não
consigo nem imaginar meu papel como não exclusivamente o de mãe no
momento. Como pensar em outra coisa após passar pela experiência mais
transformadora, linda e permanente da minha vida?” Será que existe a
possibilidade da vida sexual voltar ao normal depois que os filhos
nascem? Eu tenho dois filhos pequenos, uma menina de 5 e um menino de 2,
e posso dizer com todas as letras que sim, existe! Como toda fase, tudo
passa, e logo as coisas voltam ao normal (ou deveriam voltar).
Não exatamente como eram antes, mas voltam. Aliás, se houver disposição dos dois lados, pode ficar ainda melhor!
Assim que a mulher engravida, acontece uma reviravolta na vida do casal. Para algumas mulheres (e para alguns homens), fazer sexo
durante a gestação é algo inimaginável, por diversas razões. Mas
gostaria de lembrar que, caso a mulher e o bebê não estejam correndo
nenhum risco, o sexo é totalmente liberado – e recomendado! Só não nas
últimas semanas, pois libera oxitocina na corrente sanguínea, o hormônio
que ajuda o colo do útero a se preparar para o trabalho
de parto, e também pode provocar contrações. Isso é absolutamente
normal se sua gestação estiver decorrendo sem maiores problemas, mas o
médico poderá recomendar abstinência sexual no último trimestre caso
você tenha histórico de trabalho de parto prematuro.Na minha segunda
gestação, fiquei de repouso absoluto até a última semana a partir do 5º
mês, pois estava tendo contrações a cada 10 minutos, ou seja, nada de
sexo! Meu esposo foi muito compreensivo, afinal, era a vida do bebê que
estava em jogo! Falarei sobre este assunto um pouco mais pra frente.
Existem mulheres que não se incomodam
com o sexo durante a gravidez, algumas dizem que até fica melhor. Já
para outras, existe muita dor e desconforto, por causa da barriga e da
falta de lubrificação vaginal. Conheço também, mamães que sentiram enjoo do cheiro do marido durante os primeiros meses… imagine o problemão! A
alteração hormonal é grande, e por conta disso, muitas coisas mudam,
física e emocionalmente. Muitas mulheres se sentem feias, outras perdem a
paciência com facilidade ou choram por qualquer motivo. Sem contar os enjoos e vômitos nos 4 primeiros meses. É uma loucura! Mas como eu
costumo dizer, é uma loucura boa!
Assim que o bebê nasce, existe uma
queda brusca de hormônios, o que pode ocasionar a famosa “depressão pós
parto”. Quando a minha primeira filha nasceu, fiquei muito chorona.
Estava felicíssima com a sua chegada, mas não tinha controle nenhum
sobre os meus sentimentos. Chorei por quase uma semana seguida, mas com o
apoio da minha mãe e do meu marido, logo passou. Minha irmã chorou por 1
mês e conheço mulheres que sofreram durante meses. Ao contrário do que
se pensa, a depressão pós parto não é frescura, ela realmente existe! Se
você está passando por isso, não sinta vergonha e nem guarde seus
sentimentos. Divida-os com seu esposo e família, e se for necessário,
procure ajuda de um especialista.
Bom, mesmo com toda essa reviravolta, o bebê está lá. Ele precisa ser
amado e cuidado. Os horários ficam malucos! A mamães precisam amamentar
a cada 2 ou 3 horas, inclusive durante a noite, sem contar os banhos e
trocas de fralda. Fora os serviços de casa, que não desaparecem por
milagre. A comida precisa ser feita, a roupa tem que ser lavada, a louça
se multiplica na pia… Muitos bebês demoram quase uma hora para mamar,
depois disso, ainda precisam de pelo menos 10 minutos para arrotar, só
então podem voltar ao berço ou carrinho (isso quando ficam).
Sem falar nas mamães que sofrem por
não não conseguirem amamentar ou por causa do bendito refluxo, ou ainda,
aqueles bebês que precisam ficar alguns dias a mais no hospital… No meu
caso, o problema eram as noites em claro com o meu caçulinha. No
início, ele acordava chorando a cada 1 hora, e só voltava a dormir com o
peito. Com o tempo, o intervalo aumentou para 2 horas, e ele só passou a
dormir a noite toda com 11 meses de idade (vejam neste link como
conseguimos fazer isso). Nessa época, emagreci 4 kg, o que não é nada
bom para alguém que pesa 49 Kg. Virei um zumbi!
Mas calma, não estou falando isso pra
te desanimar! Os fatores positivos superam (e muito) os negativos! Eu
mesma teria mais uns dois filhos se tivesse condições…rs. Mas para
conseguir expôr o meu pensamento a respeito desse assunto, é necessário
primeiro ressaltar o que se passa na vida de uma mulher quando ela se
torna mãe.
Pois bem, com tudo isso, como é
possível pensar em sexo? E olha que eu não contei as dores pós parto, a
falta de lubrificação na vagina e falta de desejo sexual durante o
primeiro ano de vida do bebê. Os médicos costumam pedir um intervalo de
40 dias após o parto para o casal voltar a vida sexual “normal”.
Coloquei entre aspas porque demora um tempinho para o casal retomar a
mesma rotina sexual que tinham antes do bebê chegar.
Agora, vamos analisar o outro lado da moeda. Já foi comprovado que um homem
consegue ficar no máximo 72 horas sem pensar em sexo. Isso faz parte do
processo de reprodução humana. Os espermatozoides são produzidos
diariamente, e uma hora ou outra precisarão ser liberados, e a maneira
natural de ocorrer a ejaculação, ou seja, aquela que foi criada por
Deus, é através do sexo. Então, nada mais natural que o homem pense em
sexo quando o organismo está gritando por isso!
E agora, como resolver esse dilema? A
mulher não consegue pensar em sexo e o homem não consegue parar de
pensar… Ouvi de uma mãe outro dia uma frase engraçada. Ela apontou para
os seios e disse: “Não consigo nem imaginar outra boca aqui que não seja
a do meu bebê!” E é verdade, para uma mulher que passa 24h por dia
vazando leite, pensar em sexo fica bem complicado. Mas mesmo com todos
esses problemas, precisamos chegar a um denominador comum. Como diz uma
personagem de desenho animado: “Se eu tenho um problema e não sei o que
fazer, eu penso, penso, penso… até eu resolver!”
Pois bem, eu pensei, pensei e pensei e
cheguei a uma conclusão.O homem necessita de sexo, é algo fisiológico. É
nosso papel de esposa suprir esta necessidade. Mas quando estamos
vivendo esta fase, não conseguimos pensar em mais nada a não ser em ser
mãe. Apesar do bebê ter uma importância inigualável na sua vida, o seu
marido ainda está lá. Ele não deixou de existir e continua com os mesmos
desejos e sentimentos e não é certo que você os ignore! E agora? Bom,
pra tudo isso existe um consolo: é apenas uma fase, e como toda fase,
uma hora passa. Mas enquanto isso não acontece, precisamos resolver este
impasse.
Se antes do bebê chegar vocês tinham o
costume de fazer sexo 2 ou 3 vezes por semana, durante esse período, o
marido talvez tenha que se contentar com apenas uma vez por semana
(estou sendo otimista). Vejam que é um esforço mútuo. Para o homem é
difícil ter sexo apenas 1 vez por semana, e para a mulher é difícil ter
que fazer sexo 4 ou 5 vezes por mês. Caso exista dor durante a relação,
ou falta de lubrificação, é interessante consultar uma ginecologista e
pedir algumas dicas. Ela pode receitar algum remédio ou lubrificante. Se
no momento, por algum motivo, não existir a possibilidade da
penetração, por amor a seu esposo, resolva através de carinhos (você
sabe do que estou falando…rs).
Neste momento da vida, o amor deve
reinar. Esposa, ame o seu marido! Dentro do possível, satisfaça-o
sexualmente. Marido, ame a sua esposa, dentro do possível, respeite o
tempo e o corpo dela! Amar é uma decisão. Tome essa decisão! Se ela está
exausta e não consegue pensar em sexo, ajude-a com as tarefas de casa e
com o bebê. Seja paciente e carinhoso. Dessa maneira, ela ficará menos
cansada e estará mais disposta a estar com você quando o bebê dormir.
Mas fiquem tranquilos! Uma hora o bebê
vai aprender a dormir a noite toda, você vai voltar a ter o pique que
tinha antes e os hormônios voltarão ao normal. E seguindo as dicas
acima, vocês sairão dessa turbulência muito mais unidos e maduros.
Permaneçam firmes na decisão de amar e de cuidar um do outro, assim, a
intimidade vai se aperfeiçoando. Caso estejam enfrentando uma crise por
conta da chegada do bebê, conversem. Se for necessário, leiam juntos
esse post. Abram o coração um para o outro e estejam pronto a escutar. E
a oração que você deve fazer é: “Senhor, me ajude a ser uma esposa
(marido) melhor para o meu marido (esposa). Me ajude a amá-lo todos os
dias! E me ensine como fazer isto!”
E pra terminar, gostaria de deixar uma
dica. Nunca acostume o bebê a dormir na cama dos pais. Por mais que
seja gostoso e prático, de uma maneira ou de outra acaba afetando o
relacionamento do casal. Se isto já acontece, converse com seu
marido/esposa, entrem num acordo e coloquem a criança pra dormir no
lugar certo, ou seja, no quarto dela. É a melhor decisão que podem
tomar, tanto para vocês quanto para o seu filho(a).
“O amor é paciente e bondoso, e
nunca é invejoso ou ciumento, nunca é presunçoso nem orgulhoso, nunca é
grosseiro, nem egoísta. Não é irritadiço nem melindroso. Não guarda
rancor. O amor nunca está satisfeito com a injustiça, mas se alegra
quando a verdade triunfa. O amor tudo sofre, sempre crê, sempre espera o
melhor, tudo suporta.” I Cor 13: 4 a 7.
Fonte: Salve meu Casamento!

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