O nome do pastor Marco Feliciano,
deputado federal pelo PSC-SP, nunca foi tão citado na imprensa
brasileira como nos últimos dias quando o partido resolveu indicá-lo ao
posto de presidente da Comissão de Direitos Humanos e Minorias da Câmara
dos Deputados.
Sua indicação foi questionada e condenada por
muitas pessoas que acusam o pastor de ser homofóbico e racista. Após
assumir o cargo, que ainda terá que ser confirmado por meio de uma
votação entre os 18 membros da CDHM, Feliciano afirmou que está sendo
ameaçado e desmente as acusações de racismo e homofobia.
Em
entrevista ao jornal O Globo, o deputado garante que as críticas se dão
pelo fato dele fazer parte da bancada evangélica e ter entrado com um
requerimento contra a decisão do STF sobre o casamento entre pessoas do
mesmo sexo.
“Não por ideologia apenas, mas para poder preservar a
Constituição brasileira”, disse. “O que tem acontecido é que a
Constituição está sendo rasgada. Artigo 226, parágrafo 13: está escrito
lá que casamento civil é entre um homem e uma mulher. Então, enquanto
não se faz uma PEC, enquanto não se altera a Constituição (o STF não
pode decidir sobre o assunto). Eu, pessoalmente, sou guardião dela
(Constituição)”, conclui.
Questionado sobre as declarações ditas como racistas, Feliciano lembra a origem de sua família e diz que o texto bíblico citado por ele foi interpretado de forma errada. “Eu não sou racista. O caso foi simplesmente um texto que eu citei e, como sempre, as pessoas me interpretaram errado, e fizeram uma caveira ao meu respeito. Eu sou de matriz negra.”
Ameaças de morte
Suas
declarações contra a união de pessoas do mesmo sexo tem lhe rendido
alguns inimigos e muitos usam a internet para fazer ameaças como o
próprio pastor revelou ao jornalista do O Globo.
“Entre no meu
site e veja lá a petição pública que você vai ver um cidadão dizendo que
eu deveria estar no céu com um tiro bem dado no meio do peito”, afirmou
ele. No site do deputado, na página da petição em seu favor para a
presidência da CDHM realmente há um grifo em uma mensagem de um
internauta que pede a morte de Feliciano.
“Isso tudo pelo Twitter.
Então eu sofro demais com a comunidade (da internet). Quando na verdade
a comunidade é meia dúzia de parlapatões que não tem o que fazer e
ficam aí o tempo todo na mídia tentando destruir pessoas”.
Feliciano comenta suas propostas para CDHM
Mesmo
havendo um acordo entre os partidos políticos, o deputado Marco
Feliciano terá que enfrentar os demais parlamentares que fazem parte da
Comissão. Alguns prometem protestar contra o novo presidente alegando
que ele não tem o perfil para defender os direitos humanos.
Porém
Feliciano segue acreditando que terá os dez votos necessários para
assumir ao posto e começar a trabalhar na CDHM. Tanto que ele já tem
algumas propostas para os primeiros trabalhos a serem realizados pela
Comissão, a primeira será reabrir os mais de 300 projetos que estão
engavetados.
Em segundo lugar irá convidar os membros da Comissão a
decidirem juntos os projetos que serão votados. “Isso é para mostrar
para todo mundo que não existe nenhum monstro que vai assumir a
presidência da comissão”, falou o deputado ao O Globo.
“Em terceiro lugar, é trabalhar arduamente para limpar essa sujeira que fizeram com o meu nome, me chamaram de racista e homofóbico. E racismo e homofobia são crimes. Um é você achar que existe uma raça superior à outra. E o outro é você usar a violência . E eu nunca fiz uma coisa nem outra. Sou cristão, aprendi com Cristo”.

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