Willy Mutunga, um ex-executivo que hoje comanda o Supremo Tribunal do
Quênia, já fez propostas polêmicas. Logo que assumiu, queria que todos
os julgamentos importantes do país fossem transmitidos pela televisão.
Mas
agora ele agora está pisando em terreno perigoso. Mutunga propôs que os
pastores do Quênia sofram um tipo de análise por parte dos tribunais,
na tentativa de eliminar os “falsos profetas”.
Escândalos
envolvendo pastores “problemáticos” não é algo novo no Quênia. Relatos
de curas divinas “duvidosas” e comportamento questionável são até comum
entre os líderes religiosos do país, observa Mwenda Njoka, fundador do
Centro Africano de Jornalismo Investigativo.
O que mudou é o nível de conscientização do público. Por exemplo, recentemente um programa de TV
teve grande audiência ao mostrar o caso de Michael Njoroge, pastor do
Fire Ministries. Ele estaria pagando prostitutas para darem falsos
testemunhos sobre milagres. O pastor negou as acusações.
Também
está em discussão no país um serviço pioneiro de transferência
financeira pelo celular, chamado M-Pesa. Originalmente, o alvo era
tornar os serviços bancários acessíveis para africanos pobres da zona
rural. Contudo, tornou-se uma verdadeira febre entre os
televangelistas. Os pastores surgem na TV divulgando um número de
telefone celular e pede que as pessoas que buscam por um milagre enviem
dinheiro simplesmente digitando um código por mensagem de texto. As
somas arrecadadas tornam-se mais difíceis de serem rastreadas dessa
maneira.
Até o momento, a proposta radical de Mutunga tem dividido
os quenianos. Paul Muasya, líder da Igreja Adventista do Sétimo Dia,
declarou seu apoio total. ”Nós acreditamos que ele vai garantir que
apenas os que são chamados a anunciar a palavra do Senhor farão isso, e
não as pessoas que desejam transformar a igreja em um negócio”.
Philip
Kitoto, um influente pastor e autor ligado às Assembleias de Deus,
discorda. Ele acredita que as igreja tem mecanismos para agir como órgão
fiscalizador. ”Por mais que o chamado de Deus em uma pessoa seja
fundamental, Deus exige… integridade”, disse ele. “Como ministros, não
devemos temer a prestação de contas pública”.
Um dos maiores
opositores é Joseph Methu, presidente da Federação de Igrejas
Evangélicas do Quênia. ”A vocação é uma questão da Igreja de Cristo. Nós
não estamos debaixo de nenhum dos três poderes do governo”.
O
pesquisador John Nyakwar Odande pensa que os tribunais precisando emitir
uma habilitação para pastores é uma questão complexa. ”No momento que
uma equipe de analistas chegar até uma igreja e dizer que aquele pastor é
falso, quem vai acreditar? Os quenianos são muito ligados aos seus
pastores. Acho que é um esforço inútil”. Com informações Christianity Today.

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