O Brasil está de luto, consternado e ferido. Nunca imaginamos que
algo assim pudesse acontecer conosco. Um debate exaustivo permeia as
mídias em busca de novas luzes que se acendam diante do caso
estarrecedor. Tudo é desconcertante neste doloroso episódio: uma das
maiores tragédias da história do país. Duzentos e trinta e um jovens,
moços e moças, saíram de casa para se divertir e nunca mais voltarão.
Morreram queimados ou asfixiados — a grande maioria — na boate Kiss, na
cidade de Santa Maria, no Rio Grande do Sul.
A apreensão é inevitável. Pais, mães, irmãos, parentes, amigos,
derramarão suas lágrimas inconsoláveis, perplexos, pelo vilipendio da
fumaça, das chamas, da dor (…); a tristeza é inevitável nestas horas. E o
que fica para os familiares e parentes, é a saudade e a pergunta que
não quer calar: O que fazer com essa dor? E agora? Como será daqui pra
frente?
Nossos olhos cheios de lágrimas e nosso coração em pranto fitam para o
terror, o horror, a dor e o medo. Em nossas faces lágrimas, pois somos
pais, tios, amigos, conhecidos, pessoas que sentem saudades e que vive
intensamente o amor. Não achamos justo que pessoas tão novas morram
desta forma.
Deus é a fonte de nossa esperança. “Vossa tristeza se converterá em
alegria” (João 16.20), “Deus limpará de seus olhos toda a lágrima; e não
haverá mais morte, nem pranto, nem clamor, nem dor” (Apocalipse 21.4),
os que choram, “serão consolados” (Mateus 5.4) e por mais longa que se
torne sua noite, “a alegria vem pela manhã” (Salmos 30.5).
Quando Jesus encontrou com as duas irmãs, Marta e Maria, que tinham
acabado de perder Lázaro, ambas disseram a Jesus: “senhor, se tu
estivesses aqui, meu irmão não teria morrido” (João 11.32). Para Marta o
Senhor explica que ele é a ressurreição e a vida, que quem vive e crê
nele não morrerá eternamente, e ainda a desafia com uma pergunta: “Crês
tu isso?”. Marta responde que sim, que crê que ele é o Cristo, o Filho
de Deus, que havia de vir ao mundo.
Quando Jesus vê Maria chorar, a versão em português diz que ele
“moveu-se muito em espírito e perturbou-se” e completa dizendo que
“Jesus chorou” (João 11.35). Jesus chora por mim, ele chora por você,
ele chora por nossa dor, nossa aflição e pela saudade que a morte traz.
Chora por causa do estrago que o pecado e a morte causaram na criação.
Para a mãe viúva que carregava seu único filho – “não chores” – foram
às palavras de Jesus. Ele se perturbou com aquela cena (Lucas 7.13),
aquilo não poderia acontecer. Ele teve de devolver o menino à mãe:
“Jovem, a ti te digo: Levanta-te. E o defunto assentou-se, e começou a
falar.” (Lucas 7.14). Ele quer fazer o mesmo conosco. O mar que hoje
existe e no céu não existirá (Apocalipse 21.1) representa a separação, a
incerteza de reencontro. Tudo isto está preparado no céu como consolo
para os que choram.

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